O Linux gaming mudou muito nos últimos anos.

Durante bastante tempo, falar em jogar no Linux significava entrar em um território cheio de ressalvas: compatibilidade limitada, drivers problemáticos, anti-cheats bloqueando jogos populares e uma dependência enorme de tutoriais, workarounds (leia-se gambiarras) e boa vontade da comunidade.

Mas esse cenário mudou.

E a Steam Hardware Survey de abril de 2026 trouxe um dado que chamou bastante atenção: somando as versões Linux Mint 22.3 e Linux Mint 22.2, o Mint aparece como a segunda distribuição Linux mais usada na Steam, atrás apenas do SteamOS Holo.

A ressalva é importante: no ranking bruto da Steam, as versões do Mint aparecem separadas. O Linux Mint 22.3 aparece com 7,47%, enquanto o Linux Mint 22.2 aparece com 1,51%. Somadas, elas chegam a 8,98%, ultrapassando o Arch Linux, que aparece com 8,78%.

Ou seja: tecnicamente, o Mint não aparece isoladamente em segundo lugar. Mas, quando agrupamos suas versões recentes, ele passa o Arch e se torna uma das grandes surpresas do Linux gaming em 2026.

O ranking Linux na Steam em abril de 2026

O ranking Linux na Steam em abril de 2026

Segundo os dados analisados pelo GamingOnLinux, o ranking das distribuições Linux mais usadas na Steam em abril de 2026 teve o SteamOS Holo na liderança com ampla vantagem. O top principal ficou assim:

  1. SteamOS Holo — 23,05%
  2. Arch Linux — 8,78%
  3. CachyOS — 8,37%
  4. Linux Mint 22.3 — 7,47%
  5. Bazzite — 4,74%

Mas quando somamos Linux Mint 22.3 + Linux Mint 22.2, o Mint chega a 8,98% e passa o Arch Linux.

Esse detalhe muda bastante a leitura do cenário.

Porque não estamos falando apenas de uma distribuição tradicional aparecendo no ranking. Estamos falando de uma distro conhecida por estabilidade, simplicidade e familiaridade crescendo em um espaço que, por muito tempo, foi dominado por usuários mais técnicos.

Por que o crescimento do Linux Mint chama tanta atenção?

linux mint área de trabalho

O Linux Mint sempre ocupou um espaço muito específico dentro do ecossistema Linux: ele é uma das distribuições mais recomendadas para quem está saindo do Windows.

A interface Cinnamon oferece um fluxo de trabalho tradicional, com menu, barra inferior, bandeja do sistema e comportamento familiar para quem vem do desktop da Microsoft. Além disso, o Mint é baseado no Ubuntu/Debian, o que garante uma base sólida, grande compatibilidade de pacotes e uma curva de aprendizado mais suave.

Entenda melhor as interfaces gráficas no Linux no artigo Interface Gráfica no Linux Explicada: O Guia rápido e Prático

No contexto gamer, isso faz diferença.

Nem todo jogador quer configurar kernel customizado, mexer com flags do Proton, compilar ferramenta ou viver no limite das atualizações rolling release.

  • Instalar o sistema;
  • Instalar a Steam;
  • Ativar o Proton;
  • Baixar o jogo;
  • E jogar.

Nesse ponto, o Linux Mint parece ocupar muito bem o papel de “Windows replacement” para uma parte do público gamer.

Ele não é a distro mais agressiva em performance.
Não é a mais experimental ou a mais “hacker”…

Mas talvez seja exatamente por isso que ele esteja chamando atenção.

O Ubuntu perdeu espaço no Linux gaming?

Durante alguns anos, o Ubuntu foi tratado quase como o “Linux padrão” para desktop. Muitos tutoriais, ferramentas e guias eram escritos pensando nele. Para quem estava começando no Linux, Ubuntu era geralmente a primeira recomendação.

Mas no recorte gamer da Steam, o Ubuntu aparece bem abaixo de SteamOS, Arch, CachyOS, Mint e Bazzite. Na pesquisa de abril de 2026, o Ubuntu 24.04.4 LTS aparece com 2,36% entre os usuários Linux da Steam.

Isso não significa que o Ubuntu deixou de ser relevante no Linux como um todo. Ele continua enorme em servidores, cloud, WSL, desenvolvimento e ambientes corporativos.

Mas no desktop gamer, a história parece diferente.

Parte da comunidade desktop nunca recebeu muito bem algumas decisões da Canonical, especialmente a centralidade do Snap. Ao mesmo tempo, outras distribuições passaram a se comunicar melhor com o público gamer, oferecendo propostas mais diretas: performance, compatibilidade, experiência pronta para Steam e otimizações específicas.

É aí que entram nomes como CachyOS e Bazzite.

Destaque CachyOS para jogos no linux

SteamOS, Arch, CachyOS e Bazzite: o Linux gaming ficou mais especializado

O ranking de 2026 mostra uma mudança importante: o Linux gaming não gira mais em torno de uma única distro “padrão”.

O SteamOS domina por causa do Steam Deck. Isso era esperado. A Valve criou um dispositivo popular, integrado ao ecossistema Steam e baseado em Linux. O resultado foi uma explosão de interesse em Proton, Vulkan, Mesa, compatibilidade de jogos e suporte a anti-cheat.

O Arch Linux segue forte entre usuários técnicos e entusiastas. Isso também faz sentido: o SteamOS moderno é baseado em Arch, e muitos jogadores avançados preferem o controle, a documentação e a atualização constante do ecossistema Arch.

O CachyOS aparece como uma distro Arch-based focada em performance, com otimizações de kernel, scheduler e builds voltadas para diferentes CPUs.

O Bazzite, por sua vez, cresceu como uma proposta muito voltada para gaming, especialmente para quem quer uma experiência próxima do SteamOS em PCs e handhelds.

E no meio disso tudo, o Linux Mint cresce por outro motivo: não por ser a opção mais técnica, mas por ser uma das mais confortáveis e isso é realmente interessante!

O Linux gaming cresceu em duas direções ao mesmo tempo:

de um lado, distros altamente otimizadas para performance;

do outro, distros simples e estáveis para quem só quer jogar.

O efeito Steam Deck mudou o Linux gaming

É impossível falar desse crescimento sem mencionar o Steam Deck.

A Valve não apenas lançou um console portátil com Linux. Ela criou um incentivo econômico real para que jogos rodassem melhor no Linux.

Com o Steam Deck, o Linux passou a importar mais para desenvolvedores, publishers, engines e empresas de anti-cheat. O Proton deixou de ser uma curiosidade técnica e virou uma camada de compatibilidade estratégica para a Steam.

Segundo a Phoronix, o Linux chegou a 4,52% de participação na Steam em abril de 2026, abaixo do pico de março, mas ainda aproximadamente o dobro do registrado em abril de 2025.

Isso mostra que o crescimento não é apenas um pico isolado. Existe uma tendência mais ampla acontecendo.

Ainda é um número pequeno perto do Windows, claro. Mas o ponto é outro: o Linux gaming deixou de ser invisível, hoje ele é um mercado mensurável.

Conclusão: o Linux gaming não é mais uma coisa só

A Steam Hardware Survey de abril de 2026 mostra um ecossistema Linux gamer mais diverso do que nunca.

O SteamOS lidera por causa do Steam Deck.
Arch segue forte entre entusiastas.
CachyOS e Bazzite crescem com propostas focadas em performance e gaming.
E o Linux Mint aparece como uma escolha forte para quem quer simplicidade e estabilidade.

Esse talvez seja o novo normal do Linux gaming.

Não existe mais uma única distribuição representando o usuário gamer Linux.

Existe um ecossistema dividido por perfis, isso realmente representa a alma do Linux:

  • Quem quer console portátil usa SteamOS;
  • Quem quer controle total usa Arch;
  • Quem quer performance ajustada testa CachyOS;
  • Quem quer uma experiência gamer pronta pode escolher Bazzite;
  • E quem quer algo simples, estável e familiar pode acabar indo de Linux Mint.

No fim, esse é um bom problema para o Linux ter.

Porque a fragmentação, nesse caso, também mostra maturidade.

O Linux gaming deixou de ser apenas uma alternativa experimental.

Em 2026, ele já é uma plataforma real, com públicos diferentes, necessidades diferentes e distribuições competindo para entregar a melhor experiência possível.

E o crescimento do Linux Mint na Steam mostra que, para muita gente, a melhor distro gamer pode não ser a mais técnica.

Pode ser simplesmente aquela que deixa o usuário jogar sem dor de cabeça.