O LibreOffice é uma das alternativas mais conhecidas para quem não quer usar o clássico Microsoft 365/Office. Há muitos anos os usuários pedem aos desenvolvedores que mantém o software, a The Document Foundation (TDF) que retome uma versão da suíte que funciona em nuvem, isso irá acontecer agora, mas não da forma que muitos gostariam.

LibreOffice agora é online, entretanto, não como o Google Docs

Desde 2015, o LibreOffice possui uma versão online. Em 2020, a organização havia optado por interromper o desenvolvimento do LibreOffice Online (LOOL). Mesmo com a publicação de uma carta aberta, em 2022, solicitando a retomada do projeto, ele continuou arquivado dentro da TDF. Agora, a fundação será retomado, como foi informado no post do blog do libreoffice:

“Planejamos reabrir o repositório do LibreOffice Online na The Document Foundation (TDF) para contribuições, mas forneceremos avisos sobre o estado do repositório até que a equipe da TDF concorde que ele é seguro e utilizável.”

Mike Saunders, colaborador da The Document Foundation

A organização deixou claro que não irá hospedar o libreoffice online em nenhum de seus servidores. Também não será disponibilizada web. Logo, não irá funcionar da forma que muitos esperavam. A ideia é que o Libreoffice Online seja hospedado em servidores das organizações interessadas.

Por exemplo: Uma escola, uma universidade poderá hostear o software em seus servidores e disponibilizar o acesso via navegador web, não ficando no papel da mantedora do projeto realizar isso. 

A TDF afirmou que em breve divulgará mais detalhes sobre o LibreOffice Online.

O LibreOffice Online já existia!

Desde 2015, a Collabora Productivity, uma organização sem fins lucrativos sediada no Reino Unido que emprega uma parcela relevante dos desenvolvedores que atuam em tempo integral no código do LibreOffice, oferece uma versão própria do Libreoffice Online chamada “Collabora Online”.

A Collabora oferece versões online do pacote voltadas para organizações por meio de planos pagos. Além disso, disponibiliza uma edição gratuita destinada a testes e uso doméstico, chamada Collabora Online Development Edition (CODE).

Todavia, essas versões não funcionam como um serviço SaaS semelhante ao Google Docs. Pois precisam ser instaladas em servidores próprios ou em ambientes de nuvem privada.

Em novembro de 2025, a Collabora também lançou uma versão local, chamada “Collabora Office for desktop” que funciona em Windows, MacOS e LInux. Tendo uma interfarce muito parecida com o OnlyOffice e até mesmo sua forma de funcionamento também sendo renderizado em tecnologia web, com uma interface baseada em HTML e JavaScript, que utiliza o mecanismo de navegação nativo do seu sistema (como WebKit, Chromium, etc.). 

Tanto o LibreOffice, quanto o Collabora Online são projetos de código aberto. A diferença principal está no modelo de oferta: a The Document Foundation disponibiliza gratuitamente apenas o LibreOffice, enquanto a Collabora Productivity concentra sua atuação na oferta de suporte e serviços pagos. Ainda assim, a empresa também libera downloads gratuitos de suas versões voltadas para servidor e para instalação local.

Embora a TDF recomende o LibreOffice para uso em ambientes corporativos, ela não presta suporte comercial direto. Para esse tipo de atendimento, a fundação mantém uma página dedicada ao chamado Suporte Profissional.

Por que demorou tanto?

Durante muito tempo, a diferença entre as duas ofertas foi bastante clara: a TDF fornecia somente a versão de desktop do LibreOffice, enquanto a Collabora disponibilizava uma edição online paga, baseada em nuvem, além da versão gratuita de testes chamada Collabora Online Development Edition (CODE), mas como dito informado nesse artigo, a partir de novembro de 2025, a Collabora passou a oferecer também uma versão voltada para uso local.

Há rumores que indicam que o LibreOffice Online foi descontinuado por questões relacionadas ao Collabora. No entanto, alguns interpretam a volta do LibreOffice Online como uma retaliação.

Em entrevista ao portal do The Register, Michael Meeks, da Collabora, que votou contra a proposta, afirmou:

“É uma decisão extraordinária. Não está claro o que mais poderíamos fazer para tentar ajudá-los a reconhecer nosso valor. Contribuímos com cerca de metade dos recursos destacadosna versão 26.2.”

O site também questionou Italo Vignoli, representante de relações públicas e marketing da TDF, que se aposentou do conselho administrativo da organização no ano passado. Que afirmou: 

“Embora eu compreenda perfeitamente a oposição de Michael Meeks, a decisão de colocar o repositório do LibreOffice Online no sótão foi controversa e muitos membros da comunidade não a aceitaram”.

“Como você sabe, o software de código aberto não é como o software proprietário, onde há um único tomador de decisões. A comunidade por trás do LibreOffice é grande e está espalhada por muitos continentes, e há pessoas que desejam contribuir para o LibreOffice Online somente se o repositório estiver hospedado no TDF.”

“A única decisão tomada foi a de desvincular o repositório de recursos não técnicos, e não a de desenvolver um produto.”

O portal de notícias foi atrás de Paolo Vecchi e Mike Saunders, do conselho administrativo do TDF . Vecchi afirmou que:

“O LibreOffice Online não compete com o Collabora. A decisão de arquivá-lo foi um erro. A votação estava errada, e eles corrigiram o erro, só isso. Eles estão ajustando a governança e dizendo: vamos colocar a comunidade em igualdade de condições – e então avançaremos juntos.”

No fim das contas, a decisão da TDF é surpreendente. Porém, ainda precisa de concretização e maiores informações. O OpenSource tem muito disso e está aberto para contribuição de qualquer um, então dê uma olhada no código fonte do LibreofficeOnline no github.