No caminho da digitalização da economia, as instituições bancárias iniciaram os caminhos para a aperfeiçoamento da ideia de digitalitalizar o Euro, a moda Pix. E isso não tem só relação com a praticidade relacionada a pagamentos. É sobre a soberania tecnológica em uma economia que depende fortemente de soluções do mercado externo a União Europeia, especialmente adventos dos EUA.
A política agora é Institucional
O Banco Central Europeu (BCE/European Central Bank) vinculado a União Europeia, criou um programa que visa o desenvolvimento da moeda digital e da independência das redes de pagamento de propriedade americana. Empresas francesas, como a OVHcloud e a Scaleway, participam da construção de uma infraestrutura de nuvem europeia considerada “soberana”, voltada ao apoio do programa proposto pelo BCE. A proposta dessa moeda é possibilitar pagamentos eletrônicos, tanto em estabelecimentos físicos, quanto no ambiente online, além de transferências diretas entre pessoas.

A iniciativa surge, sobretudo, como resposta à forte dependência da Europa em relação a redes de pagamento controladas por empresas dos Estados Unidos. Atualmente, companhias como Visa e Mastercard dominam grande parte das transações na zona do euro. De acordo com a organização Finance Watch, sistemas internacionais processaram mais de dois terços das operações com cartão realizadas no bloco, no segundo semestre de 2023.
A prioridade também pelo desenvolvimento se dá pela pressão em construir uma estrutura de nuvem 100% europeia. Dados da Synergy Research do ano passado mostraram que os provedores de nuvem locais representam apenas 15% do mercado europeu de nuvem. Enquanto as três gigantes globais (Amazon, Microsoft e Google) detém cerca de 70% juntas, e o BCE excluiu essas empresas do programa.
O Banco Central do Brasil fez algo similiar em 2018, quando começou os estudos para criação da forma de pagamento Pix que cria o Real digital, o Drex. A implementação ocorreu em 2022 e hoje o PIX representa 1 em cada 2 pagamentos feitos no país. A novidade recente foi a criação do Pix por Aproximação que usa o NFC, semelhante aos cartões.
Decisão importante, mas muito tardia
A decisão do BCE é uma forma encontrada pelo mesmo para o avanço da soberania de dados dentro do continente europeu. Ser o primeiro mercado grande a criar uma meoda totalmente digitalitazada, é um marco que poucos conseguem. Ainda mais com a restrição de apenas aderência de instituições bancárias e de tecnologia com sede na Europa.
Todavia, como fazer isso em um ambiente hostil? Sistemas de pagamento, como Visa e Mastercard, sempre dominaram o continente europeu. Não será hoje que vão querer perder seu apogeu dentro de um mercado consumidor enorme, como o mercado de nuvem europeu.
Entretanto, é importante lembrar que, com os EUA sob a administração Donald Trump, há o vão jurídico por conta da legislação O CLOUD Act dos Estados Unidos. Com isso, possibilita que autoridades governamentais solicitem acesso a dados que empresas americanas mantêm, mesmo quando esses dados estão armazenados fora do território norte-americano. Por isso, não irá deixar barato uma movimentação estratégica como essa.
Se essa decisão for bem sucedida, teremos uma inovação tecnológica local enorme e um impulsionamento de novas formas de mercado.
O que o Brasil tem haver com o Euro Digital?
Na taxação de 50% do Brasil, uma das justificativas foram as “irregularidades” na adoção do PIX. O que é curioso, visto que transações com débito e crédito, que no Brasil geralmente são feitas por empresas dos EUA, já não representam tanto quanto as movimentações em PIX.
A pressão sobre a Europa pode justificar algo parecido, caso o Euro Digital venha a ser concretizado. Recentemente, a Casa Branca voltou com essa acusação em um relatório lançado pela mesma. Nele, afirma que há uma competição desleal do Pix com os sistemas de pagamentos de grandes empresas dos EUA.
O documento afirma que “O Banco Central do Brasil criou, é proprietário, opera e regula o Pix, uma plataforma de pagamentos instantâneos. Representantes do setor nos Estados Unidos têm manifestado preocupação de que o Banco Central favoreça o Pix, o que colocaria em desvantagem fornecedores norte-americanos de serviços de pagamento eletrônico. Além disso, o Banco Central exige que instituições financeiras com mais de 500 mil contas adotem o uso do Pix”.
Não há previsão de quando o Euro Digital estará disponível para uso em sistemas de pagamento e em contas. O Banco Central Europeu afirma que isso pode ser atingido em 2029. Mas, como visto em outros processos dentro da União Europeia, isso pode se estender por anos e anos.